Arquivo de Primeira Página - Teoloteca https://teoloteca.com.br/tag/primeira-pagina/ Congregando a boa teologia! Mon, 25 Aug 2025 17:38:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://teoloteca.com.br/wp-content/uploads/2025/04/cropped-icon_teoloteca-32x32.jpg Arquivo de Primeira Página - Teoloteca https://teoloteca.com.br/tag/primeira-pagina/ 32 32 Dicas para ler Mateus: o evangelho do Reino https://teoloteca.com.br/dicas-para-ler-mateus-o-evangelho-do-reino/ Thu, 21 Aug 2025 12:38:01 +0000 https://teoloteca.com.br/?p=1289 Hoje, embarcaremos em uma jornada fascinante pelo primeiro livro do Novo Testamento: o Evangelho de Mateus. Se você já se perguntou como o Antigo Testamento se conecta a Jesus ou como os ensinamentos de Cristo se aplicam à vida cotidiana, Dicas para ler Mateus é o seu guia perfeito. Aliás, este evangelho não é apenas

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Hoje, embarcaremos em uma jornada fascinante pelo primeiro livro do Novo Testamento: o Evangelho de Mateus. Se você já se perguntou como o Antigo Testamento se conecta a Jesus ou como os ensinamentos de Cristo se aplicam à vida cotidiana, Dicas para ler Mateus é o seu guia perfeito. Aliás, este evangelho não é apenas uma biografia de Jesus; é um livro bíblico que revela a identidade de Cristo como o Messias prometido e o Filho de Deus, ao mesmo tempo em que traça o caminho para seus seguidores.

Mateus: A Porta de Entrada para o Novo Testamento

Não é por acaso que o Evangelho de Mateus ocupa a posição inicial no Novo Testamento. Desde a sua primeira frase, ele estabelece laços diretos e intencionais com o Antigo Testamento, atuando como uma ponte crucial entre as antigas promessas e seu glorioso cumprimento em Jesus Cristo. Sua estrutura e organização do ensino de Jesus eram tão eficazes que se tornou o evangelho mais citado e utilizado na Igreja Primitiva.

A autoria de Mateus é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, embora alguns estudiosos modernos divirjam, sugerindo que foi um autor anônimo que compilou o “primeiro evangelho”. Acredita-se que tenha sido escrito entre os anos 70 e 80 d.C., provavelmente em ou ao redor de Antioquia da Síria, com o objetivo principal de alcançar cristãos judeus que já estavam comprometidos com a missão entre os gentios. Isso nos mostra que, desde o início, a visão de Mateus era abrangente, abraçando tanto o legado judaico quanto a expansão universal do evangelho.

A Genialidade Estrutural de Mateus: Narrativa e Ensino Interligados

Uma coisa que fazemos questão de falar aqui nas dicas para ler Mateus: a verdadeira genialidade de Mateus reside em sua estrutura. O evangelho apresenta uma maravilhosa tapeçaria onde a narrativa e os blocos de ensino de Jesus são cuidadosamente entrelaçados. Muitos leitores talvez nem percebam os cinco blocos de ensino que se destacam na história de Mateus (Mateus 5:1 a 7:29; 10:11-42; 13:1-52; 18:1-35; [23:1] 24:1 a 25:46), pois a fluidez da narrativa, que segue de perto o Evangelho de Marcos, muitas vezes os ofusca. Cada um desses blocos de ensino é marcado por uma fórmula conclusiva semelhante: “Quando Jesus acabou/Tendo acabado [de dizer essas coisas/de instruir]”.

A história começa com uma dupla introdução sobre as origens de Jesus e seus preparativos para o ministério público (capítulos 1 a 4). A partir daí, cada bloco que combina “narrativa com discurso” forma um aspecto progressivo da história, todos interligados ao fato de Jesus, o Rei messiânico, inaugurar um tempo de reinado divino. O evangelho culmina com o julgamento, a crucificação e a ressurreição de Jesus, seguidos pela importante ordem dada aos discípulos de levar essa história a todas as nações.

Jesus, o Cumprimento da História de Israel

Mateus se esforça para amarrar a história de Jesus à história de Israel de forma direta e objetiva. Ele mostra que Jesus pertence à genealogia da linhagem de Israel e cumpre todas as expectativas messiânicas proféticas. É notável a frequência (treze vezes) com que Mateus sublinha que certos eventos ocorreram para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas. O ministério e o ensino de Jesus pressupõem a idoneidade da Lei do Antigo Testamento (Mateus 5:17-48), e durante seu ministério terreno, Jesus concentra-se nas “ovelhas perdidas de Israel” (Mateus 10:6).

A Transição da Antiga Aliança

A morte de Jesus é um divisor de águas simbólico para Mateus. O rasgar da cortina do templo em duas partes (Mateus 27:51) não é apenas um evento físico, mas um sinal de que o tempo da Lei, da antiga aliança, chegara ao fim, e o tempo de Jesus e de seus seguidores, da nova aliança, havia começado.

Mateus apresenta Jesus em oposição ferrenha aos fariseus e mestres da lei. Ele se refere às “sinagogas deles” em contraste com seus próprios discípulos (Mateus 10:17; 13:54; 23:34). Isso é particularmente relevante, pois Mateus escreve em um tempo em que a igreja e a sinagoga já estavam separadas e em conflito sobre quem estava sob a verdadeira sucessão das promessas do Antigo Testamento.

Um Messias para Todas as Nações

Apesar de seu forte foco judaico, Mateus também demonstra um claro interesse na missão para com os gentios. Ele inclui quatro mulheres – essencialmente, se não totalmente, gentias – na genealogia de Jesus (Tamar, Raabe, Rute e a esposa de Urias, ou Bate-Seba). O ministério de Jesus começa na Galileia (Mateus 4:12-16), que Mateus vê como o cumprimento da profecia de Isaías 9:1-2: “o povo que vivia na escuridão, na Galileia dos gentios, viu uma grande luz”. O evangelho termina com a Grande Comissão (Mateus 28:16-20), uma ordem para os apóstolos fazerem discípulos de todas as nações (que significa gentios). Essa interconexão de temas revela a intenção de Mateus de mostrar que Jesus é o Messias não apenas para Israel, mas para o mundo inteiro.

Quem é Jesus para Mateus?

A identidade de Jesus é central para o Evangelho de Mateus. Ele é o cumprimento de todas as esperanças e expectativas messiânicas judaicas.

Rei Messiânico e Filho de Deus

Mateus proclama Jesus como o “Rei dos judeus” desde o seu nascimento (Mateus 2:2), e ele é honrado e adorado por figuras monárquicas gentias, os magos. Em seu batismo e transfiguração, ele é explicitamente identificado como o “Filho de Deus” (Mateus 3:17; 17:5; Salmos 2:7). Seu nascimento virginal cumpre a profecia de Isaías 7:14 de que “Deus está conosco” (Emanuel). Ele morre como “O REI DOS JUDEUS” (Mateus 27:37) e é reconhecido como “Filho de Deus” até mesmo por um centurião romano (Mateus 27:54).

Ao mesmo tempo, Mateus também apresenta Jesus como o “servo sofredor” de Isaías (Mateus 20:28), estendendo esse reconhecimento a todo o seu ministério, incluindo suas curas (Mateus 8:17) e a oposição que ele enfrenta (Mateus 12:17-21, citando Isaías 42:1-4). Essa dualidade entre Messias majestoso e servo sofredor é um pilar da teologia de Mateus.

O Intérprete Autêntico da Lei

Mateus é cuidadoso em apresentar Jesus como o verdadeiro intérprete da Lei (Mateus 5:17-48; 7:24-27). Ele contrasta Jesus com os fariseus e mestres da lei, que transformaram a Lei em um jugo pesado (Mateus 11:28; 23:4), impondo fardos às pessoas. Jesus, por outro lado, oferece um jugo suave e um fardo leve (Mateus 11:28-30). Sua “lei” é permeada por misericórdia e graça (Mateus 9:13; 12:7; 20:30,34; 23:23). Jesus não veio para abolir a Lei e os profetas, mas para cumpri-los (Mateus 5:17; 7:12) e para trazer a nova justiça do Reino de Deus, que transcende infinitamente os ensinamentos dos fariseus (Mateus 5:20).

O Discipulado no Reino: Viver como Jesus

Para Mateus, os doze discípulos desempenham o papel de aprendizes que devem servir de modelo de vida no Reino. Aqueles que seguem a Jesus não apenas proclamam o Reino que virá – a chegada da misericórdia divina aos pecadores – mas também são esperados que vivam como Jesus (Mateus 7:15-23). A Grande Comissão em Mateus 28:19-20 instrui os discípulos a fazerem outros discípulos de todas as nações, ensinando-os a observar o caminho de Jesus, tanto na vida individual quanto nas comunidades eclesiásticas (Mateus 18). De fato, Mateus quase certamente pretende que seu evangelho sirva como um manual para essa instrução.

Conclusão: Um Guia Atemporal para o Reino

O Evangelho de Mateus é, de fato, uma maneira maravilhosa de iniciar a história de Deus no Novo Testamento. Ele nos apresenta um povo salvo por Deus, para o seu Nome, através da morte e ressurreição de Jesus, e enviado ao mundo para levar suas boas-novas, fazendo discípulos de todas as nações e, assim, cumprindo a aliança de Abraão.

Para os leitores de hoje, Mateus oferece não apenas um relato histórico da vida de Jesus, mas um manual abrangente para entender a profunda conexão entre o Antigo e o Novo Testamento, a identidade multifacetada do Messias e o caminho do discipulado que nos convida a viver uma vida que reflita o caráter e os ensinamentos de Jesus, o Rei do Reino de Deus. Estudar Mateus é mergulhar na essência do cristianismo e na própria missão que nos foi confiada.

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Ser cristão não é o mesmo que ser religioso? https://teoloteca.com.br/ser-cristao-nao-e-o-mesmo-que-ser-religioso/ Sun, 25 May 2025 01:38:58 +0000 https://teoloteca.com.br/?p=1088 Ser cristão não é o mesmo que ser religioso? Da maneira como a maioria das pessoas entende o termo “cristão”, sim. Mas, de acordo com a carta de Paulo aos Romanos, não. A ideia que algumas pessoas têm do cristianismo me lembra uma esteira ergométrica. Todos os dias vejo cristãos determinados subirem até às demandas

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Ser cristão não é o mesmo que ser religioso?

Da maneira como a maioria das pessoas entende o termo “cristão”, sim. Mas, de acordo com a carta de Paulo aos Romanos, não.

A ideia que algumas pessoas têm do cristianismo me lembra uma esteira ergométrica. Todos os dias vejo cristãos determinados subirem até às demandas religiosas de seus líderes e parceiros e então começarem a correr. Eles trabalham e se esforçam, com velocidade cada vez maior e cheios de esperança, implorando e orando para que possam agradar a Deus ou ganhar o seu favor, ou simplesmente fazer com que Ele sorria para eles por um momento ou dois. Com uma diferença tão grande entre a perfeição que Deus exige e o ponto onde estamos, certamente vamos precisar trabalhar muito duro para eliminar essa distância.

Isso é religião. Somente dor, sem ganho.

Felizmente, a prática cristã genuína não tem nada a ver com religião. Para se tornar cristã, a pessoa deve primeiramente aceitar que nenhuma quantidade de esforços na esteira ergométrica vai aumentar a distância entre nós e o nosso pecado, nem o esforço religioso nos levará para mais perto de Deus. Somente a graça de Deus fará isso. A graça de Deus fornece a salvação que não podemos conquistar, o favor que não merecemos e a bondade que não podemos retribuir.

* Reflexão inspirada do Comentário de Romanos, de teólogo, escritor, e pastor Charles Swindoll.

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Decifrando a Estrutura da Bíblia: Um Guia Acessível https://teoloteca.com.br/decifrando-a-estrutura-da-biblia-um-guia-acessivel/ Wed, 07 May 2025 16:42:41 +0000 https://teoloteca.com.br/?p=779 Você já se perguntou como a Bíblia, com tantos livros e histórias, é organizada? Não é apenas uma coleção aleatória de textos, mas sim uma biblioteca cuidadosamente estruturada que se desdobra ao longo de séculos de história e pensamento. Vamos desvendar essa estrutura juntos, de forma simples e direta! A Grande Divisão: Antigo e Novo

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Você já se perguntou como a Bíblia, com tantos livros e histórias, é organizada? Não é apenas uma coleção aleatória de textos, mas sim uma biblioteca cuidadosamente estruturada que se desdobra ao longo de séculos de história e pensamento. Vamos desvendar essa estrutura juntos, de forma simples e direta!

A Grande Divisão: Antigo e Novo Testamento

A divisão mais óbvia e fundamental da Bíblia é em duas partes principais, chamadas Testamentos. Mas o que significa “Testamento”?

A palavra vem do termo hebraico “berith“, que significa “aliança”, “contrato” ou um “acordo entre duas partes”. O termo grego “diathēkē” é a palavra geralmente traduzida como “testamento”, mas nas versões mais modernas da Bíblia, tem sido corrigida para traduzir como “aliança”.

Essencialmente, a Bíblia conta a história de duas grandes alianças entre Deus e o Seu povo. A primeira parte, o Antigo Testamento, é chamada de antiga aliança. Essa aliança foi primeiramente chamada assim nos dias de Moisés. A segunda parte, o Novo Testamento, é chamada de nova aliança. Jeremias anunciou que Deus faria uma “nova aliança” com Seu povo, e Jesus afirmou estar realizando essa nova aliança na Última Ceia.

A relação entre essas duas partes é lindamente descrita por Santo Agostinho: “…o Antigo Testamento revelado no Novo; o Novo oculto no Antigo…”. Em outras palavras, o Novo Testamento está contido no Antigo, e o Antigo é explicado no Novo. Para os cristãos, o Cristo é o tema central das duas alianças.

As Formas Antigas da Bíblia: Hebraica e Grega

A forma como os livros da Bíblia foram agrupados mudou ao longo da história.

1. A Forma Hebraica (Tanakh)

A divisão mais antiga da Bíblia hebraica provavelmente era dupla: a Lei e os Profetas3. Essa distinção aparece no Novo Testamento e é confirmada por judeus e Manuscritos do Mar Morto3. No entanto, a Bíblia judaica acabou se organizando em três seções principais, totalizando 24 livros (ou 22, dependendo de como alguns livros são contados)5. Essa é a organização conhecida como Tanakh:

Torá (Lei): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio;

Nevi’im (Profetas): Profetas Anteriores: Josué, Juízes, Samuel, Reis; Profetas Posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Os Doze Profetas Menores;

Ketuvim (Escritos): Livros Poéticos: Salmos, Jó, Provérbios; Os Cinco Rolos (Megilloth): Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester;

Livros Históricos: Daniel, Esdras-Neemias, Crônicas

Essa classificação tripartite é mencionada por Jesus, pelo filósofo judeu Fílon de Alexandria, e por Flávio Josefo. Um dos testemunhos mais antigos dessa divisão vem do prólogo do livro de Eclesiástico, datado do século II a.C.

2. A Forma Grega (Septuaginta – LXX)

As Escrituras hebraicas foram traduzidas para o grego em Alexandria, no Egito (c. 250-150 a.C.)7. Essa tradução, conhecida como Septuaginta, introduziu mudanças básicas no formato dos livros7. A tradição alexandrina organizou o Antigo Testamento de acordo com o assunto, e essa é a base da classificação atual8.

A Septuaginta agrupa os livros em quatro grupos:

Lei (Pentateuco) — 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio;

História — 12 livros: Josué, Juízes, Rute, 1Samuel, 2Samuel, 1Reis, 2Reis, 1Crônicas, 2Crônicas, Esdras, Neemias, Ester;

Poesia — 5 livros: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos;

Profetas — 17 livros: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, e os 12 Profetas Menores como Oseias, Joel, etc;

Essa organização grega tem um número diferente de livros em comparação com a lista hebraica.

A Forma Latina e a Bíblia Contemporânea

A Bíblia Latina (a Vulgata, traduzida por Jerônimo c. 383-405) seguiu a ordem da Septuaginta. Embora Jerônimo estivesse familiarizado com a divisão hebraica, a cristandade favoreceu a versão grega. Portanto, a adoção da classificação quádrupla da Septuaginta na Vulgata foi natural.

Durante mil anos, a Vulgata foi a versão padrão da Bíblia para a cristandade. Era de se esperar, então, que as primeiras Bíblias em inglês (como a de Wycliffe) seguissem as divisões de sua predecessora latina. Consequentemente, a divisão quádrupla do Antigo Testamento e a divisão similar do Novo Testamento se tornaram a divisão tradicional desde então.

As Bíblias contemporâneas em inglês (e, por extensão, a maioria das Bíblias em português) seguem uma ordem temática, e não cronológica, diferentemente da Bíblia hebraica. Contudo, dentro dessa estrutura temática geral, há uma lista semi-cronológica dos livros, de Gênesis ao Apocalipse.

Essa ordem não é puramente arbitrária. Ela evidencia que seu direcionamento é proposital, organizada em categorias significativas que apresentam o desenrolar histórico do drama da revelação redentora.

A Estrutura Temática e o Centro: Cristo

A estrutura da Bíblia, especialmente na forma contemporânea, é profundamente cristocêntrica. Isso significa que Cristo não é apenas o tema de ambos os Testamentos, mas pode ser entendido como o tema na sequência de cada uma das seções das Escrituras.

Veja como as seções principais da Bíblia, na organização temática, se relacionam com Cristo:

No Antigo Testamento:

1. Lei: É o fundamento para Cristo…. Nela, Deus escolheu (Gênesis), redimiu (Êxodo), santificou (Levítico), guiou (Números) e instruiu (Deuteronômio) a nação hebraica, por meio de quem abençoaria todas as nações2.

2. História: Mostra a preparação para Cristo. Os Livros Históricos mostram como a nação estava sendo preparada para executar sua missão redentora e para a vinda do Salvador. É onde as nações lançam raízes em preparação para Cristo.

3. Poesia: Representa a aspiração por Cristo. O povo olha para o alto e aspira a Cristo. Essa seção revela a vida espiritual e expectativas proféticas ou messiânicas.

4. Profecia: Expressa a expectativa de Cristo. Os Profetas olham à frente na expectativa de Cristo. Ilustram a vida espiritual e as expectativas proféticas ou messiânicas.

No Novo Testamento:

O Novo Testamento também é organizado em quatro temas principais: Evangelhos, Atos, Cartas e Apocalipse. Os primeiros pais da igreja centraram os livros do Novo Testamento nesses quatro grupos9.

1. Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João): Registram a manifestação histórica de Cristo. Eles impulsionam a expectativa messiânica. Ali, o Salvador prometido torna-se presente; o oculto é revelado; o Logos penetra o cosmo quando Cristo é manifestado na carne. Os Evangelhos oferecem uma manifestação quádrupla de Cristo, sendo visto em sua soberania (Mateus), em seu ministério (Marcos), em sua humanidade (Lucas) e em sua divindade (João). Os Evangelhos registram as obras de Cristo e de seus discípulos.

2. Atos: Relata a propagação de Cristo. Depois que Cristo morreu e ressuscitou, os discípulos foram comissionados a levar o relato de sua manifestação “aos confins da terra”. É aqui que é registrada a propagação da fé em Cristo. Atos registra as obras de Cristo e de seus discípulos.

3. Cartas: Oferecem a interpretação e aplicação de Cristo. As Cartas revelam a doutrina conforme ensinada pelos apóstolos. São os primeiros relatos do fundamento histórico do cristianismo neotestamentário, oferecendo interpretação didática e aplicação dele. As Cartas foram subdivididas em paulinas (treze) e gerais (oito).

4. Apocalipse: Encontramos a consumação de Cristo. É o capítulo culminante da revelação cristocêntrica, onde todas as coisas encontram sua consumação em Cristo. O “paraíso perdido” de Gênesis torna-se o “paraíso recuperado” no Apocalipse. Tudo é reunido nele.

Conclusão

A Bíblia é, portanto, um único livro (um biblos) dividido em dois Testamentos, ou alianças, que estão inseparavelmente relacionados. O Novo Testamento está oculto no Antigo, e o Antigo está revelado no Novo.

Ao longo dos séculos, sua estrutura evoluiu, da divisão tripla hebraica à quádrupla temática da Septuaginta e da Vulgata, que prevalece nas Bíblias modernas. Essa estrutura atual não é aleatória; pelo contrário, ela forma um todo significativo e intencional, transmitindo o desenrolar progressivo do tema da Bíblia na pessoa de Cristo.

Compreender essa estrutura nos ajuda a ver como cada parte da Bíblia se encaixa na grande narrativa de Deus e aponta para Jesus Cristo, que é o coração e o centro de tudo. É uma jornada incrível do fundamento à consumação, toda focada Nele.

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O que são os filactérios e as franjas em Mateus 23? https://teoloteca.com.br/o-que-sao-os-filacterios-e-as-franjas-em-mateus-23/ Sun, 10 Sep 2023 17:55:00 +0000 https://teoloteca.com.br/?p=586 No texto de Mateus 23, onde Jesus demonstra a hipocrisia e a falsidade dos escribas e fariseus, por sermos leitores de uma época muito à frente, somos surpreendidos pela menção do mestre sobre uns objetos chamados filactérios e também uma menção sobre franjas. “Praticam todas as suas obras a fim de serem vistos pelos outros;

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No texto de Mateus 23, onde Jesus demonstra a hipocrisia e a falsidade dos escribas e fariseus, por sermos leitores de uma época muito à frente, somos surpreendidos pela menção do mestre sobre uns objetos chamados filactérios e também uma menção sobre franjas.

“Praticam todas as suas obras a fim de serem vistos pelos outros; pois alargam os seus filactérios e alongam as franjas de suas capas.” (Mateus 23:5)

Vejamos então qual o sentido dessa colocação usada por Jesus.

Filactérios

Os Filactérios eram cápsulas usadas no braço esquerdo, próximo ao coração e sobre a testa. Continham um pedaço de pergaminho com quatro passagens das Escrituras, que são: 

“Senhor disse a Moisés: Consagre-me todo primogênito. Todo o primeiro que sair do ventre de sua mãe entre os israelitas, tanto de homens como de animais, é meu. Moisés disse ao povo: — Lembrem-se deste dia, o dia em que vocês saíram do Egito, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor os tirou de lá; portanto, não comam pão feito com fermento. Hoje, mês de abibe, vocês estão saindo do Egito. Quando o Senhor os tiver introduzido na terra dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus, terra que o Senhor jurou a seus pais que daria a vocês, terra que mana leite e mel, vocês observarão este rito neste mês. Durante sete dias vocês comerão pães sem fermento; e no sétimo dia haverá festa ao Senhor. Durante sete dias vocês comerão pães sem fermento. Nada que tenha sido levedado se encontrará entre vocês nem ainda fermento será encontrado em todo o seu território. — Naquele mesmo dia, vocês dirão a seus filhos: “Isto é pelo que o Senhor nos fez, quando saímos do Egito.” E será como sinal na mão de vocês e por memorial entre os seus olhos, para que a lei do Senhor esteja na sua boca; pois com mão forte o Senhor os tirou do Egito. Portanto, guardem esta ordenança no tempo determinado, de ano em ano.” (Êxodo 13:1-10)

“Quando o Senhor os tiver introduzido na terra dos cananeus, como jurou a vocês e aos seus pais, quando ele lhes tiver dado essa terra, vocês deverão separar para o Senhor todo primeiro filho homem que nascer e todo primogênito dos seus animais; os filhos e filhotes machos serão do Senhor. Porém todo primogênito da jumenta vocês poderão resgatar com um cordeiro; se não o resgatarem, deverá ser desnucado; mas vocês resgatarão todo primogênito do homem entre os seus filhos. — Se no futuro o seu filho perguntar: “O que significa isso?”, você responderá: “O Senhor com mão forte nos tirou da casa da servidão. Pois aconteceu que, endurecendo-se Faraó para não nos deixar sair, o Senhor matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais; por isso, sacrificamos ao Senhor todo primeiro filhote macho. Mas a todo primogênito de nossos filhos nós resgatamos.” E isto será como sinal nas suas mãos e por frontais entre os seus olhos; porque o Senhor com mão forte nos tirou do Egito.” (Êxodo 13:11-16)

“— Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Portanto, ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força. Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se. 8Também deve amarrá-las como sinal na sua mão, e elas lhe serão por frontal entre os olhos. E você as escreverá nos umbrais de sua casa e nas suas portas.” (Deuteronômio 6:4-9)

“— E o Senhor continuou, dizendo: “Tenho observado este povo, e eis que ele é povo teimoso. Deixe que eu os destrua e apague o nome deles da face da terra; e farei de você uma nação mais forte e mais numerosa do que esta. — Então me virei e desci do monte, que estava em chamas. As duas tábuas da aliança estavam em minhas mãos. Olhei, e eis que vocês haviam pecado contra o Senhor, seu Deus: tinham feito para si um bezerro de metal fundido. Bem depressa vocês se desviaram do caminho que o Senhor lhes havia ordenado. Então peguei as duas tábuas e as joguei no chão, quebrando-as diante dos olhos de vocês. 18Depois, como havia feito na ocasião anterior, fiquei prostrado diante do Senhor durante quarenta dias e quarenta noites. Não comi pão e não bebi água, por causa de todo o pecado que vocês haviam cometido, fazendo o que é mau aos olhos do Senhor, para o provocar à ira. Porque eu estava com medo por causa da ira e do furor com que o Senhor tanto estava irado contra vocês, ao ponto de querer destruí-los. Porém mais uma vez o Senhor me ouviu. O Senhor estava muito irado com Arão e queria destruí-lo; mas também orei por Arão ao mesmo tempo. Depois peguei o pecado de vocês, aquele bezerro que vocês tinham feito, o queimei e o esmaguei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o pó eu joguei no ribeiro que descia do monte.” (Deuteronômio 9:13-21)

O filactério usado na cabeça tinha quatro compartimentos, cada qual com um pedacinho de pergaminho, com essas quatro passagens bíblicas acima. O filactério usado no braço tinha um único pedaço de pergaminho, com todas as quatro passagens bíblicas. Honravam a essas cápsulas tanto quanto as próprias Escrituras, e imaginavam totalmente que o próprio Deus as usava. Também chegaram a ser supersticiosos, usando-as inclusive como encantamentos para espantar o mal, incluindo os maus espíritos ou os demônios. 

Franjas

Já as franjas, vemos que Jesus, tal como os judeus em geral, usava uma franja ou beirada, na veste mais externa, que era um regulamento antigo, dado aos judeus:

“Fale aos filhos de Israel e diga-lhes que ao longo das suas gerações coloquem franjas nas extremidades das suas capas e ponham um cordão azul em cada franja” (Números. 15:38).

Os rabinos judeus haviam desenvolvido regras minuciosas sobre isso, tal como aquela que dizia que cada uma das franjas brancas deveria consistir de oito fios, um dos quais deveria ser enrolado em torno dos demais. Outros regulamentos foram baixados sobre quantas vezes o fio deveria ser enrolado (primeiramente sete vezes, com um nó duplo; então oito vezes, com um nó duplo; então onze vezes, com um nó duplo; e, finalmente, treze vezes, com outro nó duplo). Isso era feito segundo os valores numéricos dos caracteres hebraicos que formavam as palavras “Jeová Um”. 

O tamanho das cápsulas dos filactérios, quanto o tamanho das franjas procurava demonstrar a medida do zelo de quem as usava, porém nessa passagem os escribas e fariseus alargavam o seu tamanho para atrair maior atenção sobre si mesmos, comportamento totalmente reprovado por Jesus.

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O Presente de Deus – Martinho Lutero https://teoloteca.com.br/o-presente-de-deus-martinho-lutero/ Thu, 10 Mar 2022 20:29:00 +0000 https://teoloteca.com.br/?p=490 A boa nova para um mundo pecador. Esse é, sem dúvida, um dos mais sublimes trechos evangélicos do Novo Testamento. É o presente de Deus. Se fosse possível, teríamos que gravá-lo em nossos corações com letras douradas, e todo cristão teria que se familiarizar com essas palavras e recitá-las em sua mente pelo menos uma

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A boa nova para um mundo pecador.

Esse é, sem dúvida, um dos mais sublimes trechos evangélicos do Novo Testamento. É o presente de Deus. Se fosse possível, teríamos que gravá-lo em nossos corações com letras douradas, e todo cristão teria que se familiarizar com essas palavras e recitá-las em sua mente pelo menos uma vez ao dia, para conhecê-las bem de memória. Ali se escutam palavras que se forem cridas robustamente, conferem ao triste, alegria, e ao morto, vida. Não podemos compreendê-las todas, não obstante, queremos confessá-las com a boca e rogar que o Espírito as transfigure em nosso coração e as faça tão luminosas e ardentes que penetrem até o mais profundo de nosso ser. É verdadeiramente um Evangelho de grande riqueza, repleto de consolo. “Deus amou ao mundo”, e o amou de tal maneira “que deu a seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” O que isso significa, o ilustrarei com um quadro em que veremos por um lado ao doador, e por outro, o receptor, e além disso, o presente, o fruto e o proveito do presente, e tudo isso em uma dimensão indizivelmente grande.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)

I. Deus, o Criador mesmo, é o que dá ao mundo o grande dom — o presente de Deus.

O maior de todos é o doador. O texto não diz “O Imperador deu”, mas sim “Deus deu”: Deus, o Insondável, o Criador de tudo quanto existe. Mais o que isso quer dizer? As palavras humanas são demasiadamente pobres para explicá-lo em seu pleno alcance. Todas as coisas criadas são, diante Dele, como um grão de areia diante dos céus e terra. Com razão se fala Dele como do “que dá boas coisas”. Essa é, pois, a pessoa do doador. Quando escutamos a palavra “Deus”, devemos pensar que comparados com Ele, todos os reis e imperadores com seus dons e com suas cortes não são nada mais que um monte de lixo. Tanto deve nosso coração encher-se de gozosa reverência, que até mesmo o mais precioso tesouro dessa terra parecerá diminuto comparado com Deus; tão alta assim deve ser nossa estima para com o Senhor.

II. O meio da entrega voluntariosa de Deus é seu grande amor.

Além disso, Deus dá de uma maneira que, tal como sua divina majestade, vai além de toda medida. O que Ele nos dá, não o dá como recompensa de nossa dignidade, ou de ignorância de nossa indignidade, mas sim de puro amor; Ele “amou ao mundo”. Deus, como doador, realmente assim o É de todo coração, e é impulsionado por Seu amor divino, que não está condicionado por nenhum mérito da parte dos homens. Não existe nem em Deus nem nos homens uma virtude mais excelsa do que o amor. Pois por aquilo que se ama, se empenha tudo, corpo e vida. Certamente, a paciência, a castidade, a justiça, também são virtudes muito apreciáveis – no entanto, parecem pouca coisa comparadas com a virtude do amor, que é a suma de todas as demais. O que possui a virtude da justiça, dá a cada um o prêmio e a recompensa que por seus méritos lhes corresponde. Mas à aquele quem amo, a esse me entrego totalmente: para tudo o que se necessite, me acharei disposto. Assim, quando o Senhor nosso Deus nos dá algo, o dá não somente por causa de sua paciência, não somente por ser o administrador da justiça, mas sim por razão dessa virtude suprema que é o amor. Isso deve despertar nos corações humanos uma nova vida, tirar do meio deles toda tristeza, e atrair todos os olhares até o amor abismal que habita no coração de Deus – Ele, o doador máximo, doa impulsionado pela mais elevada virtude, e essa virtude confere ao presente de Deus seu caráter tão precioso como dom que provem do amor. Quando nesse dom intervém o coração, se pode dizer “quanto aprecio esse presente, porque vejo que é de coração!” Não é tanto o presente em si que tomamos em conta, mas sim o afeto com que foi feito, o “coração”: isso é o que dá seu verdadeiro valor. Se Deus me houvesse dado um só olho, um só pé, uma mão apenas, e se eu soubesse que isso Ele o fez por amor divino e paternal, eu deveria dizer: “esse olho me é mais precioso do que mil olhos.” Assim mesmo, se toma consciência de que Deus lhe obsequiou o batismo, você deve sentir-se todos os dias como se já estivesse no reino dos céus – pois não é tanto o grande prestígio do batismo o que nos comove, mas sim o grande amor que Deus nos demonstra com ele.

III. O Presente de Deus é seu próprio Filho, e com Ele nos dá tudo

Grande é, portanto, o coração, grande o doador, e é inefavelmente grande, em terceiro lugar, a dádiva. O que Deus nos dá? “seu Filho”! Isso sim que se chama dar! Não uma moeda, ou um olho, ou um cavalo, ou uma vaca, ou um reino, tão pouco o céu com o sol e todos os astros juntos, nem a criação inteira, mas sim “o seu Filho”, que é tão grande como o Pai mesmo! Saber isso há de ascender em nós uma luz no coração, mas ainda, um fogo, ao extremo de nos fazer saltar de alegria sem cessar, pois assim como é infinito e inefável o doador e seu propósito, assim também o é a dádiva. Ao dar-nos a seu Filho, o que Ele reteve de nós? Junto com seu Filho, ele mesmo se entrega a nós, como o expressa Paulo em Romanos 8:32: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Conforme essas palavras, tem que estar incluso tudo, nomeie como se queira, Diabo, morte, vida, inferno, céu, pecado, justiça ou injustiça, tudo tem que ser nosso, posto que nos foi dado o Filho, em quem subsiste todas as coisas. Em consequência: se cremos neste Filho e lhe aceitamos como o presente de Deus, todas as criaturas, boas ou más, vivas ou mortas, tem que estar a nosso serviço. Nesse sentido Paulo diz em 1 Coríntio 3:21-23: “tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus.” Em Cristo está compreendido tudo. Verdadeiramente: que dádiva é essa! Se pensar bem, você não poderá menos que dizer: “que é o ouro ou a prata, a glória e todas as demais coisas que apetecem ao homem, em comparação com esse tesouro?” Porem, ai está a maldita incredulidade (da que Cristo se queixa depois) e essa terrível cegueira que faz com que se mau temos ouvimos essas coisas, não as creiamos, e permitimos que palavras tão sublimes e consoladoras entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Como as pessoas se apressam quando se lhes apresenta uma boa oportunidade de comprar um palácio ou uma casa, como se nossa vida dependesse por inteiro de tais bens materiais! Porém, aqui onde nos é pregado com palavras tão formosas que Deus nos há dado a Seu Filho, manifestamos indolência que não tem comparação. Quem é que faz com que esse presente de Deus tão grande seja tão pouco estimado, que não se a gravemos no coração, e que não sejam dadas a Deus as 5 graças por ela? É o maligno, o diabo, que tomou posse de nosso coração e que faz com que sejamos duros e frios. Por isso eu disse que cada manhã teríamos que levantar da cama com essas palavras e agradecer a Deus por elas. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” aqui temos as três partes, o que dá, Seu amor e Sua dádiva, a saber, Jesus Cristo. Com isso está dado tudo.

IV. A única condição junto ao presente de Deus é que a aceitemos

Porem existe algo mais que devemos tomar em conta: Deus conceitua sua dádiva não como um pagamento ou uma recompensa a que tenhamos um direito, mas sim realmente como um dom. Não nos foi emprestada, nem há que pagá-la, tampouco se fala de um esquema. O único que há que se fazer é estender a mão. Oh Senhor, tem piedade de nós que somos tão duros para crer-lhe! Deus quer dar-lhe seu dom não só para tocá-lo timidamente, mas sim o quer dar a você de verdade, não como prêmio, mas sim como propriedade sua. Você não tem mais que o fazer que não seja aceitá-lo. Porém, adivinhe: como se chama as pessoas dos quais se diz: ” a ninguém se lhe regala nada contra sua vontade?” Suponhamos que um príncipe gênero fizesse para um pobre que não tem onde cair morto a oferta de presentear-lhe um palácio, e que lhe reportaria um benefício anual de 1.000 florins, e esse pobre lhe contestasse: “Não o quero”. Seguramente todo mundo bradaria: “Jamais se viu um idiota como esse! Que animal!” Sim, assim diria o mundo. Mas aqui não lhe dá só um palácio; aqui Deus dá a Seu Filho, gratuitamente; porque Ele mesmo nos convida: “estenda sua mão, tomá-lo!” Nosso papel é, segundo a vontade de Deus, o de recebedores, nada mais. E isso não o queremos! Agora, calcule que pecado mais grave é a incredulidade! Resistir ao Senhor que quer nos dar a seu Filho, isso já não é coisa de seres humanos! Porém, nessa incapacidade de alegrar-se pelo dom de Deus podeis ver que o mundo inteiro perdeu o juízo e está possuído pelo demônio. Não querem se conformar em serem simples recebedores. Ah, se fora um florim o que nos fosse oferecido, isso sim despertaria a alegria geral, porem o Filho de Deus, esse não! Tão completamente se acha o mundo em poder do diabo! Essa é a quarta parte: o que Deus nos oferece, deve-se considerar pronta e plenamente uma dádiva: não é requerido que a consigamos mediante certos serviços, nem que a paguemos.

V. O destinatário e receptor do presente de Deus é o mundo pecador

Em nosso quadro também figura o recebedor: o mundo. Recebedor abominável, parece-me, indizivelmente abominável. Com que o há merecido? Por acaso o mundo não é a noiva de Satanás, o inimigo de Deus e seu maior blasfemador? O maior inimigo de nosso Deus é o diabo – porem o segundo somos nós, que sem Cristo somos filhos do diabo. Pois bem: assim como têm tomado consciência do que é Deus, e o Filho de Deus, e de como esse Filho é o presente de Deus, grave agora também em seu coração a imagem fiel do que é o mundo. O mundo não é outra coisa que uma massa de homens que não creem em Deus, que o consideram por mentiroso, que blasfemam de Seu santo Nome, que desprezam Sua palavra, que desobedecem a pai e mãe, que cometem adultério, que caluniam, furtam e praticam toda sorte de outras maldades. Salta a vista que no mundo impera a infidelidade, a blasfêmia e todo quanto vício que se possa catalogar. E a essa amada noiva e filha, que é inimiga de Deus, que Ele dá seu Filho.

Eis aqui outro fator que dá realce ao presente de Deus: que nosso Deus e Senhor não se afasta enojado desse mundo ruim, mas sim que traga de um só gole todas as iniquidades dos homens: as blasfêmias que proferem contra Seu nome, e a transgressão de todos seus mandamentos. Apesar de toda grandeza como presenteador, Deus realmente deveria sentir uma profunda repugnância ante ao mundo e sua maldade, já que os pecados do mundo não têm soma. E, no entanto, Deus vence a maldade e apaga os pecados contra a primeira e a segunda tabua da Lei e já não quer saber mais nada deles. Não deveria de ter amor e confiança para com Aquele que quita os pecados e ama ao mundo com todas suas transgressões? E que inumeráveis elas são! Não há homem que possa contar seus próprios pecados – quem poderia contar os do mundo todo? E, não obstante, o Evangelho nos diz que Deus há dado a Seu Filho “ao mundo”. Não pode então caber a menor dúvida: se Deus ama ao mundo que blasfema Dele, a remissão dos pecados tem que ser uma realidade incontrovertível. Se Deus pode dar ao mundo, que é seu inimigo, um presente tão grande, ou melhor ainda, se Ele mesmo se entrega ao mundo, como Ele pode odiar ao mundo? Que coração não deveria encher-se de regozijo diante do fato de que Deus mesmo intervêm na miséria humana, e dá Seu amado Filho aos homens malfeitores? Que malfeitor fui, por exemplo, eu mesmo, que durante anos li a missa e crucifiquei a Cristo, e pratiquei todas as idolatrias próprias da vida monástica! E apesar de ter-lhe ofendido tanto, me conduziu ao conhecimento de Seu Filho e de si mesmo – tal é Seu amor para comigo, sua criatura pecaminosa, que não recordará de todo o mal que lhe fiz. Oh Senhor Deus, que homem deve ser aquele que, em vista de tudo isso ainda persiste em sua ingratidão! Gozo, indizível gozo deveria nos encher e gostosamente deveríamos não só servir-lhe, mas sim também sofrê-lo tudo, e rirmos quando tivéssemos que morrer por causa Dele, nosso amoroso Pai que nos há dado um tesouro tal como esse. Não deveria eu de sofrer prazerosamente até mesmo a morte na fogueira como fiel testemunha de meu Senhor, se essa fé me anima? Se isso não acontece, se esse gozo não se produz, agradeçamos isso à nossa incredulidade que nos freia. Assim, pois, temos visto o enorme que é tudo isso: o doador, Seu amor, Seu dom, o recebê-lo, e também a pessoa que o recebe.

VI. A finalidade da dádiva é a salvação da morte e a vida eterna

Segue agora o propósito último do doador divino. Qual é sua intenção ao nos dar sua dádiva? Não me a dá para que eu coma ou beba dela, mas sim para que tenha dela o maior dos proveitos. Não a quer dar como um simples dote, assim como tampouco nos dá o batismo e a santa ceia como partes de um dote. Antes, a finalidade é que “todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.” Não se trata de que Ele me dê um reino ou o mundo inteiro– o que quer dar-me é que eu esteja livre do Inferno e da morte, livre do perigo de perder-me para sempre. Essa é a missão que o Filho deve cumprir: o diabo ter que ser devorado, o inferno extinguido, e eu tirado da interminável miséria. Tal há de ser o efeito da dádiva – deve trancar à chave às portas do Inferno. E converter um coração débil em um coração forte e confiante – e não só isso, mas que também deve criar vida, e vida perdurável. Isso sim que se chama um presente de Deus! Quem queira que seu coração transborde de alegria, aqui achará motivo mais que suficiente para isso – pois nessas palavras do Evangelho nos é prometido uma vida eterna onde já não se verá a morte, onde haverá plenitude de gozo e onde experimentemos a mais ampla certeza de ter um Deus cheio de misericórdia e graça. Por essa razão, o que aqui nos é dito são palavras em cujas profundidades ninguém logra penetrar completamente. Dia a dia se deve as pronunciar em oração e com o rogo de que o Espírito Santo as inscreva no coração com letras indeléveis. E esse mesmo Espírito faça então de nós um bom teólogo, um que saiba falar de Cristo, discernir toda a doutrina e sofrer com paciência tudo o que Deus lhe imponha. Porém, se deixamos passar ao longe essas palavras com um bocejo, tampouco poderão ter efeito duradouro, e o coração fica tal como estava antes. Esse estado de coisas sempre de novo dá lugar a tristes reflexões – mas aqueles que contudo que tão despreocupadamente deixaram que essas palavrasse perderam ao vento, o lamentarão no inferno.

VII. A fé é a mão que se apropria do presente de Deus e da vida eterna

Qual é agora a maneira como posso apropriar-me dessa dádiva? Qual a bolsa, a arca em que se pode depositar esse tesouro? É a fé, a saber, a fé com que se crê – essa faz que abramos as mãos e a bolsa. Pois assim como Deus é o doador por meio do amor, nós somos os receptadores por meio da fé. Vocês não precisam a merecer mediante uma vida monástica. Suas próprias obras nada têm que ver nesse assunto. O único que deve lhes importar é que o deixem Ele dar – em outras palavras: que mantenhas a boca aberta. Eu não tenho que fazer nada, simplesmente ficar quieto, e esperar que me coloquem a comida na boca, por assim dizer. Dessa maneira o dom é dado por amor e recebido por fé. Se você crê isso: “De tal maneira amou Deus ao mundo, que há dado a seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não se perda, mas tenha a vida eterna”, então com toda certeza é salvo e bem-aventurado – porque o dom é demasiadamente grande como para duvidar-se da capacidade de tragar a morte. Como o jogar uma gotinha d’água nas chamas de um forno, assim é o pecado de todo o mundo comparado com esse presente de Deus. Nem bem o pecado entre em contato com Cristo, já fica também extinguido, como se extingue uma chispa de fogo quando essa cai no mar. Mas isso só acontece quando alguém se apropria desse tesouro mediante a fé e coloca em Cristo toda sua confiança. Isso é o que nos dize o texto: “De tal maneira Deus amou o mundo”. Palavras áureas, palavras de vida! Queira Deus que possamos captá-las! Pois ao que pensa nessas palavras, nenhum diabo lhe pode assustar – tem que ter o coração repleto de alegria e dizer: “Tenho ateu Filho, e como testemunha me tem dado além disso o Evangelho, quer dizer, Tua própria palavra. Já não há engano possível. O creio, Senhor, e sei que mais não tenho que fazer. Ou, se duvido, concede-me Tua graça para que eu o creia” Assim pois, aprenda cada qual crer com mais e mais firmeza – porque o crer é indispensável para receber. E dessa maneira o homem chega a ser feliz e alegre, de modo que com gosto fará tudo e padecerá tudo, porque sabe que possui um Deus que lhe é propício.

VIII. A dádiva de Deus está destinado a cada homem em particular

“Muito bem”, me dirás “isso tudo eu poderia compreender se eu fosse Paulo, Pedro ou Maria. Aquelas pessoas foram pessoas santas; a elas eu creio que lhes foi dado esse dom. Porem, como posso saber que me foi dado a mim também? Eu sou um pecador, não mereço tal coisa.” Por que você não se fixa nas palavras que dizem a quem Deus há dado a seu Filho? Ao mundo! Porém, o mundo não é Pedro e Paulo, mas sim todo quanto tem natureza humana. E bem, você crê que é um ser humano? Tome-se pelo nariz e veja se você não é um homem como qualquer outro! Em que estamos, pois? Não diz o texto que o Filho há sido dado ao mundo? Por conseguinte, todos os que são pessoas humanas, devem apropriar-se do dom que Deus lhes oferece. Pensar eu você e eu ficamos excluídos, é anular toda a dádiva: porque a ti é a quem importa, você é um ser humano e por assim também uma parte do mundo. Deus deu seu Filho não ao diabo, ou aos cães, etc, mas sim aos homens. Por isso não há que colocar em dúvidas a veracidade de Deus dizendo: “Quem sabe se me o deu a mim?” Isso significa fazer de nosso Senhor e Deus um mentiroso. Faze-te cruzes para que tais pensamentos não te enganem nem se aninhem no seu peito! Diga porem: “O que me importa que eu não seja Pedro nem Paulo! Se Deus houvesse desejado dar sua dádiva aos quais são dignos dela, o haveria dado aos anjos, ou ao sol, ou a lua. Esses teriam sido limpos e puros. Porém, quem era Davi? Um pecador, o mesmo que também os apóstolos.” Por isso, ninguém deve ceder ao argumento de “eu sou pecador, portanto não sou digno do dom de Deus, como o é um Pedro.” Ao contrário, assim é como deves pensar: “Seja eu o que for, de nenhum modo devo fazer de Deus um mentiroso. Eu pertenço ao ‘mundo’ que Ele amou. E se não me apropriasse da dádiva de Deus ao mundo, acrescentaria a todos os demais pecados ainda esse de culpar a Deus de mentiroso.” Você me objetará: “Como posso pretender que Deus está pensando só em mim?” Não, Deus está pensando em todos os homens em geral; por isso mesmo não posso senão ter a plena certeza de que não exclui a nenhum. Porém, se alguém se considera excluído, ele mesmo terá que dar conta disso. Eu não quero julgar-lhe, porem sua própria boca o julgará por não ter-lhe aceitado.

* O texto dessa publicação se baseia no material produzido pela equipe do Projeto Castelo Forte, a partir de uma versão em espanhol intitulado “El Espíritu Santo Nos Habla De Dios Para El Hombre”, e foi digitalizado por Andrés San Matín Arrizaga, com a tradução de Armando Marcos Pinto.

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